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16/11/2017
"O ATO DE ESCREVER NÃO É TÃO SIMPLES QUANTO PARECE"
T.O. Régis Nepomuceno explica qual o papel da terapia ocupacional na intervenção nas dificuldades motoras da escrita na criança, como a Disgrafia

Embora a escrita seja vista como uma das atividades mais básicas na nossa sociedade, ela se trata, na verdade, de uma atividade complexa, que envolve o desenvolvimento motor, visual, cognitivo e sensorial. Nesse sentido, crianças podem apresentar dificuldades no desenvolvimento dessa ação, o que exige atenção do profissional terapeuta ocupacional. Ele será responsável por verificar as dificuldades das atividades motoras da escrita e ofertar possibilidades de adaptação ou substituição. O terapeuta ocupacional Régis Nepomuceno, diretor da Inclusão Eficiente, fala sobre o assunto, tema do curso "Disfunções Motoras da Escrita", que ocorrerá dia 1º de dezembro, na Inclusão Eficiente Nordeste, em Recife*.

Quais os principais casos de disfunções de escrita no caso das crianças? Quais as causas ou influências no caso dessas disfunções?

O ato de escrever não é tão simples quanto parece. Pelo contrário, é uma das ações manuais mais complexas, além de ter ligação com questões visuais, cognitivas, sensoriais, que precisam ser estudadas para que o Terapeuta Ocupacional possa intervir da melhor forma com a criança que apresentar essas dificuldades. Crianças, geralmente em idade escolar, podem encontrar alguns problemas na aquisição da escrita. O que mais comum é a Disgrafia, que consiste na dificuldade da criança executar motoramente o ato de escrever. Muitas pessoas acham que a criança pode estar preguiçosa ou que apenas falta treino. Treino é importante, porém algumas questões como dificuldade na lateralidade, déficit no desenvolvimento motor e algumas deficiências podem causar essas dificuldades.

Que questões e pontos podem interferir no desenvolvimento da escrita da criança?

O fator mais importante, quando não se trata de crianças com deficiência, é o desenvolvimento motor ser explorado em todas as suas fases, pois ele dará sustentação do corpo para que o braço e, principalmente, as mãos façam o movimento necessário para que a escrita aconteça de forma esperada. Para as crianças com problemas no desenvolvimento causadas por qualquer dificuldade ou deficiência, é importante salientar que, ao perceber o déficit global motor, há a possibilidade de se utilizar outras formas de escrita, como computador, tablet, ou mesmo alfabeto móvel. Isso não quer dizer que a escrita motora não pode ser estimulada, mas que a criança não pode esperar que todos seus movimentos aconteçam para explorar a escrita. O ideal é que, mesmo que não seja da forma convencional, sempre se estimule a escrita, e se possível, aos poucos, se adeque à forma mais tradicional.

Qual a importância da intervenção do Terapeuta Ocupacional nesses casos?

O Terapeuta Ocupacional é o profissional apto a perceber todos os movimentos necessários para realização das funções manuais, que em sua maioria, estão ligadas a questões como coordenação de olho e mão e déficits sensoriais ou mesmo cognitivos. Pela sua formação ampla, que engloba tanto conhecimento nas questões intelectuais como nas motoras, o T.O. poderá olhar para esta criança como um todo, percebendo qual o real problema, já que, muitas, vezes, a professora pode achar que o problema encontra-se no movimento das mãos e a dificuldade da criança ser outra. Além de ofertar condições de melhora em todas as dificuldades para a aquisição motora da escrita, o T.O. pensará em possibilidades, sejam estas de adaptação ou de substituição. O importante é que essa criança realize a função tão importante da escrita, e o T.O. achará um caminho para que isso aconteça da melhor forma possível.

De que modo o Terapeuta Ocupacional pode acompanhar e estimular o exercício da grafia nas crianças? A que questões esse profissional deve se atentar?

Ficar atento que, para escrever, a criança não depende exclusivamente do movimento das mãos, mas o tronco é tão importante quanto. Além disso, é importante se atentar não apenas às possibilidades mais formais de escrita, mas considerar igualmente as possibilidades diferentes que se podem oferecer. Para estimular a escrita, o profissional deve usar a criatividade, estimular atividades que busquem melhor a lateralidade e um bom tronco, movimentações amplas e principalmente atividades com transferência de peso para escapula e punho.

*Curso Disfunções Motoras da Escrita
Quando? 1º de dezembro, 8h às 17h
Onde? Inclusão Eficiente Nordeste - Av. Rui Barbosa, 715, sala 1405, Graças - Recife (PE)
Inscrições: https://goo.gl/forms/Hk0a8eL5l0iZZhOg2
Mais informações: contato.pe@inclusaoeficiente.com.br



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