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2/12/2016
EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI
As escolas no século XXI são frequentadas por alunos que possuem influências da cultura desenvolvidas nessa época, os chamados “nativos digitais”. É uma nova cultura em que a tecnologia está presente intensa e frequentemente, uma cultura que vem sendo moldada pela influência do acesso às ferramentas que a tecnologia vem propiciando.

O acesso a essas ferramentas vem transformando conceitos, como de comunicação, socialização, interação, informação, conhecimento, acessibilidade e autonomia.
Este texto não possui o objetivo de insistir no uso da tecnologia em sala de aula, mas sim, de compreender o quanto e como a tecnologia vem influenciando na educação, direcionando o aluno que está em sala de aula, na mesma sala de aula de quarenta anos atrás, com o mesmo modelo de ensino de quarenta anos atrás. Com o mesmo modelo de professores formados há algumas décadas.
O aluno de hoje sabe pesquisar, tem acesso a conteúdos multimídias, facilidade em encontrar informação, mas nem sempre essas habilidades são valorizadas na escola. Da mesma forma, o conteúdo da sala nem sempre parece estar conectado com um aluno produtor de conteúdo (vídeos, áudios, jogos, programas complexos) e as habilidades de edição são pouco trabalhadas. Leitura, gestão, lógica, estatística, tudo poderia estar mais conectado, mas ainda permanece em universos distintos.
Um aluno que usa o facebook ou twitter, por exemplo, poderia aprender a editar textos. Um aluno que joga, pode aprender matemática, comparação, velocidade. E principalmente pode aprender a utilizar melhor os recursos, dentro e fora da sala de aula. Pode entender que as aprendizagens se completam, que um recurso são precisa substituir vivências. Mas nem sempre um aluno descobre isso sozinho e essa orientação também pode ser uma vivência orientada por um professor.
Enquanto conteúdos curriculares as escolas possuem o direcionamento do MEC, por meio do BNCC (Base Nacional Comum Curricular), PCN’s (Plano Curricular Nacional), categorizado por disciplinas e, Educação Infantil e Ensino Fundamental, e PAIC (Programa de Alfabetização na Idade Certa), não obstante este cita no BNCC¹ que “Uma base comum curricular, documento de caráter normativo, é referência para que as escolas e os sistemas de ensino elaborem seus currículos, constituindo-se instrumento de gestão pedagógica das redes. Para tal, precisa estar articulada a um conjunto de outras políticas e ações, em âmbito federal, estadual e municipal, que permitam a efetivação de princípios, metas e objetivos em torno dos quais se organiza.” Ou seja, as escolas possuem liberdade para escolher seu modelo e método de ensino, assim como o dever de adapta-los ao contexto de seu público alvo.
Todo esse direcionamento diz respeito ao conteúdo e não à forma. E mesmo no conteúdo há espaço para flexibilidade. Essa é uma das propostas em discussão na Reforma do Ensino Médio: flexibilizar.
Frente a isso, a Educação do século XXI deve ressignificar-se e rever seus objetivos para com os alunos. A nova Educação deve ser sustentada por quatro pilares² de aprendizagem:
 aprender a conhecer: que visa o domínio dos instrumentos de aprendizagem, o aprender a aprender;
 aprender a fazer: utilizar todo o conhecimento adquirido, adequadamente;
 aprender a viver juntos: aprender a conviver, utilizando das habilidades sociais que desenvolve com influência dos contextos sócias em que está inserido;
 aprender a ser: desenvolver-se apto para atuar com responsabilidade e autonomia.
São aprendizagens necessárias para a formação de indivíduos que integram a sociedade do século XXI, no entanto, será que a educação vem propiciando e oportunizando essas aprendizagens? De que maneira os educadores tem mediado a aprendizagem de seus alunos, para que desenvolvam-se sujeitos assertivos na sociedade?
Na prática, é necessário apenas que observemos a sala de aula, que possui o mesmo formato, que reage negando a entrada de ferramentas da tecnologia neste âmbito, que modela os alunos a seres passivos e não pensantes, que manifesta resistência a diversidade e individualidade de seus alunos.
Portanto, associemos a prática às aprendizagens ideais para a educação do século XXI, o contexto social dos alunos, nos apresenta seres que possuem acesso à informação 24h, nas palmas de suas mãos, a escola do século XXI deve utilizar essa facilidade a seu favor, ensinando-os a conhecer e a fazer por meio destas ferramentas, mostrando-os onde o conteúdo curricular está presente em suas vidas. Outro aspecto presente nas salas de aulas, é a heterogeneidade cultural, e a educação persiste em limitar essa diversidade, privando os alunos de aprender a conviver com o diferente, de desenvolver habilidades sociais como empatia e percepção social. Privando-os de que essa diversidade contribua para seu desenvolvimento individual. Essa mudança é urgente e nesse sentido a Inclusão tem muito a contribuir: mostrar que cada um tem uma trajetória de aprendizagem e isso deve ser respeitado, valorizado. Se a escola não nos ensinar a conviver com a diversidade, onde aprenderemos isso?
São situações simples, porém presentes em nosso cotidiano, de certa forma camufladas. Representam, porém, algumas das causas do desinteresse pelo estudo e conhecimento, desencanto pela profissão de educador, sujeitos que apresentam comportamentos disfuncionais e inaptos para serem atuantes ativos.
Neste texto, me cabe dizer, que a inclusão não possui um déficit apenas quando se trata de pessoas com deficiência, mas também quando se trata de diferentes culturas, diferentes seres que frequentam a mesma escola, a mesma sala de aula. Enquanto a educação for voltada à padronização de sujeitos, a mesma continuará inadequada para alunos do século XXI.


¹BNCC - http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/documentos/BNCC-APRESENTACAO.pdf

²Pilares da Educação do século XXI - Educação: um tesouro a descobrir de Jacques Delors
http://proletariosmarxistas.com/docs/Publicacoes%20diversas/Educacao%20-20um%20tesouro%20a%20descobrir.pdf





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