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16/12/2016
PENSANDO NAS FÉRIAS: COMO AUXILIAR SEU PACIENTE/CLIENTE COM PROBLEMAS SENSORIAIS NOS MOMENTOS DE LAZER.
A avaliação de Terapia Ocupacional é baseada nas áreas de desempenho ocupacional do indivíduo e é imprescindível para uma boa avaliação conhecer cada espaço social que a criança frequenta ou já frequentou. Quando estamos avaliando, sempre questionamos a família sobre o funcionamento das crianças em diferentes ambientes, pois quando os pais já estão bem informados sobre qual o papel do Terapeuta ocupacional e sobre o que é Integração sensorial eles começam a relacionar diversas experiências já vividas pela família, então surgem diversas situações e muitas delas evidentes em passeios e momentos de lazer experimentados pela família.

A frase “planejei tanto nossas férias e mesmo assim não deram certo” é mais que comum. Sempre surgem relatos de passeios onde a criança, não conseguia sair do quarto do hotel, não conseguia se alimentar, não conseguia brincar no parque, tinha dificuldades de brincar na areia, não se aproximava da água do mar, se enjoava com cheiros, não tolerava sons e por ai vai. Essas situações podem tornar um momento que tinha tudo para ser prazeroso em frustração.
Então, o que fazer? Como organizar? Como podemos saber quais ambientes são apropriados para a criança?
Partimos do pressuposto que compreender e melhor avaliar as dificuldades impostas pelo Transtorno de Processamento Sensorial e identificar quais áreas tem maiores dificuldades e quais podem facilitar sua participação, são princípios para otimizar as escolhas e dar início a um bom projeto de férias.
Essas dificuldades podem se apresentar como dificuldade de registro (consciência e identificação da localização do estímulo), intolerância ao toque (principalmente inesperado) dificuldades de modulação (quando existem diferentes mudanças e exposições a diferentes estímulos o organismo pode ter dificuldade de “organizar esse estímulo”, nessa situação a criança acaba por evitar experiências) e dificuldades de discriminação (localização e tipo de estímulo).
Para melhor exemplificar, vamos pensar em uma escolha feita por uma família, como ir á praia. Esse ambiente pode se tornar uma bomba de informações para uma criança que tem dificuldades de discriminação tátil e que também apresenta dificuldades de insegurança gravitacional e postural, além de dificuldades de modulação. A areia da praia pode ser intolerável a princípio, a quantidade de pessoas circulando e as ondas quebrando na areia podem ser perturbadores. Nesse momento requer que os pais respeitem essa dificuldade e não leve a “força” a criança insistindo pois isso só pode dificultar o processo. O ideal nesse momento é oferecer um pouco de estímulo vestibular e proprioceptivo como um balanço ou apenas caminhar mais rítmico na beira da praia, deixar que a criança possa observar o ambiente em um momento em que os estímulos estejam em menor nível (observar o horário, movimentação e etc.), deixar a criança se sentir no controle da situação. A palavra chave nesse momento é “segurança” e tudo deve estar nítido para a criança, incluindo o jeito como se segura a mão (usando de pressão estimulando o tato profundo). A areia pode aparecer na brincadeira de maneira gradativa ao conforto da criança como usar uma piscina plástica.
Várias são as estratégias de enfrentamento para tornar esse desafio um momento de diversão e conquista, antecipar e planejar são sempre o melhor caminho. Essas experiências ainda podem ser analisadas com muito mais complexidade e atenção pelo profissional que acompanha criança.

Marney Costa, Terapeuta Ocupacional pela Universidade Presidente Antoio Carlos - Minas Gerais. Assessor de inclusão e reabilitação da Inclusão Eficiente. Formação no Conceito Neuroevolutivo Bobath, Bobath Baby Course, Certificação Internacional em Integração Sensorial pela USC/WPS e Integração Sensorial para bebês e autismo, Terapeuta Ocupacional responsável nos Consultórios de Reabilitação Infantil de Chapecó-SC.




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