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30/12/2016
AUTISMO EM GÊMEOS
O entendimento atual do Transtorno do Espectro do Autismo evidencia que fatores genéticos e ambientais exercem grande influência no desenvolvimento dessas pessoas ao longo de suas vidas, seja na estrutura, funcionamento cerebral e comportamento. Esse fato vem se tornando cada vez mais evidente através de estudos em gêmeos que possuem o diagnóstico.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um complexo transtorno do desenvolvimento neurológico causado por diversos fatores. Basicamente, crianças com TEA apresentam prejuízos qualitativos de comunicação social e comportamentos/interesses repetitivos, sendo o diagnóstico feito com base em uma lista de comportamentos que a criança apresenta, e que causam um grande impacto na sua relação com o meio em que está inserida.
Sabe-se que gêmeos monozogóticos (idênticos), compartilham o mesmo material genético, ou seja, quase 100% dos seus genes. Já os gêmeos dizigóticos (fraternos), compartilham a metade do material genético, ou seja, 50% dos genes. Estudos encontraram uma taxa de recorrência genética de mais de 60% de autismo entre gêmeos idênticos e em torno de 10% entre gêmeos fraternos. Fato esse que demonstra a herdabilidade de genes do Transtorno embora ainda pouco se saiba sobre as causas genéticas.
Desconhecendo a importância dos fatores genéticos e ambientais no autismo, poderíamos apresentar a seguinte dúvida: por que os gêmeos, principalmente os idênticos, apresentam tantas diferenças, sejam elas de desenvolvimento, comportamento, cognição, personalidade, entre outras, mesmo tendo sido compartilhados tantos aspectos em comum, dentre eles os genéticos, ambiente uterino, familiar e cultural?
Existem determinantes genéticos em gêmeos idênticos que influenciam na forma que eles irão interagir no ambiente, ou seja, gêmeos idênticos podem apresentar comportamentos muito semelhantes devido à genética que compartilham. No entanto, a presença apenas de um traço genético diferente já influencia na maneira que uma criança irá interagir com o ambiente. Mas apenas esses fatores não explicam essas diferenças no desenvolvimento de cada um. Há uma ampla variedade de influências ambientais já desde o desenvolvimento dentro do útero, seja pela posição em que se encontram nesse, diferentes partilhas de nutrientes pelo fluxo sanguíneo, condições peri ou pós natais. Essas influências ocorrem de maneira diferente para cada um, sejam entre os gêmeos idênticos ou fraternos.
Posteriormente, a maneira que cada criança irá interagir com o ambiente seja de forma física ou cognitiva, de acordo com sua capacidade, influência genética, preferências ou vivências, essa interação continuará influenciando no seu desenvolvimento, aprendizagem e comportamento ao longo da sua vida.
Sendo assim, além dos fatores genéticos, podemos levar em consideração que os fatores ambientais são de extrema importância e influenciam diretamente no desenvolvimento da criança com Transtorno do Espectro do Autismo. A importância de olhar para cada um mesmo que sejam gêmeos ou pareçam iguais é essencial, pois é evidente que cada um possui suas especificidades e necessidades, ninguém é igual para oferecermos a mesma maneira de atuação. Essa necessidade de individualização e personalização de intervenção é uma tendência mundial que os autistas precisam, sendo eles gêmeos ou não.
Proporcionar um ambiente apropriado, que atenda às necessidades de aprendizagem específicas da criança com o diagnóstico, é fundamental para que ela consiga desenvolver seus potenciais e habilidades de maneira eficiente. Isto possibilitará maior independência e autonomia no dia a dia, além de participação mais efetiva no contexto em que estiver inserida.
Referências utilizadas:
MECCA, Tatiana Pontrelli et al. Rastreamento de sinais e sintomas de transtornos do espectro do autismo em irmãos. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2011, vol.33, n.2 [cited 2016-12-29], pp.116-120. Available from: . ISSN 0101-8108. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082011000200009.
GADIA, Carlos A.; TUCHMAN, Roberto and ROTTA, Newra T.. Autismo e doenças invasivas de desenvolvimento. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2004, vol.80, n.2, suppl. [cited 2016-12-29], pp.83-94. Available from: . ISSN 0021-7557. http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572004000300011.
RIBEIRO, Ilda Patrícia; FREITAS, Manuela e OLIVA-TELES, Natália. As Perturbações do Espectro do Autismo: Avanços da Biologia Molecular. Nascer e Crescer [online]. 2013, vol.22, n.1 [citado 2016-12-29], pp.19-24. Disponível em: . ISSN 0872-0754.




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