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3/2/2017
MÉTODO DE ENSINO IDEAL DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Este é um assunto bastante complexo e delicado, pois a escolha de um método de ensino para alfabetizar e letrar é uma escolha que poderá dar certo ou não, em um estágio do desenvolvimento marcante e importante na vida escolar da criança.

A aprendizagem da leitura e escrita em crianças neurotípicas, ou seja, sem prejuízos no desenvolvimento neurológico, acontece muitas vezes naturalmente, independentemente do método de ensino utilizado pela escola em que frequenta o ensino regular. Os métodos mais comuns utilizados na rede de ensino brasileira são: os considerados tradicionais, classificados em analítico e sintético; e o construtivista.

Dentre os métodos classificados como analíticos, encontram-se: Alfabético; Fônico; e Silábico. Estes são caracterizados por iniciar o processo pela aprendizagem das letras (fonema e grafema), depois sílabas, e então formação das palavras, chegando à aprendizagem da formação de frases.

Enquanto os sintéticos são definidos por realizar o processo de aprendizagem contrário do analítico. Neste pode-se citar: Palavração; Sentenciação; e Global.

O método construtivista está estruturado em estágios, assim como o próprio autor desenvolvimentista, Jean Piaget, estruturou em seus estudos o desenvolvimento humano. Diversos autores descrevem os estágios do processo de letramento classificados por ele, com sutis diferenças nas nomenclaturas, cujos são: Pré-silábico (pictória, gráfica e pré-silábica); silábico; silábico com valor sonoro; silábico-alfabético; alfabético; e ortográfico. Fundamentados pelo fato de que a criança passará por todos os estágios, nesta ordem, variando a faixa etária, pois dependerá do estágio do desenvolvimento em que a criança se encontra.

O fato do método construtivista ser um método voltado ao letramento, além da alfabetização, é o que o torna diferenciado dos métodos ditos tradicionais analíticos e sintéticos, pois o objetivo deste é a apropriação da função social da leitura e escrita. É importante ressaltar que é impossível dissociar alfabetização de letramento, um depende do outro, ambos são necessários e devem acontecer paralelamente!

É possível dizer que cada método utiliza de uma habilidade específica para fundamentar-se. É muito arriscado escolher um método que prioriza apenas uma via de aprendizagem, ensinar apenas pelo grafema ou fonema, corre o risco da criança não aprender. Portanto não existe um método ideal para todos, existe uma estratégia ideal para cada criança.

As instituições de ensino, iniciam o ano letivo com os métodos de ensino já propostos, desta forma, os Assessores da Inclusão Eficiente buscam a estratégia que compreendem ser mais adequada ao seu cliente, utilizando o método de ensino da escola como suporte para esta aprendizagem, e ligando a todo momento a estratégia domiciliar à escolar, visando a compreensão de que ambas possuem o mesmo objetivo.

Outro ponto importante é a atuação dentro do contexto social da criança, facilitando o letramento, ou seja, a aprendizagem da função social da leitura e escrita. Podemos citar um exemplo de uma estratégia utilizada em um programa LIFE, em que a facilidade da criança é a memorização visual, portanto utiliza-se de estratégias visuais para aprendizagem de palavras e sílabas, enquanto a escola utilizará do método Fônico. Sempre que os fonemas das sílabas forem apresentados, as imagens utilizadas em casa serão utilizadas, como “pistas de memória”, para que a crianças realize a associação, e possivelmente aprenda pelas duas vias.

Quando efetiva a parceria entre família, escola, assessores e acompanhante terapêutica, é possível encontrar a melhor estratégia de ensino e aprendizagem de alfabetização e letramento, respeitando o desenvolvimento global da criança, assim como suas dificuldades e habilidades, e principalmente seu contexto social.

Para finalizar gostaria de deixar como sugestão de leitura os seguintes artigos, da autora Magda Soares e, baseados em seus estudos:

- Letramento e alfabetização: as muitas facetas (Magda Soares, 2003);

- Alfabetização e Letramento: caminhos e descaminhos (Magda Soares (2004);

- Alfabetizar letrando: novos desafios no ensino da língua escrita (Moreira e Rocha, 2013).


Vanessa Maghry, Pedagoga
Assessora e Consultora da Inclusão Eficiente




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