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17/2/2017
RETORNO ÀS AULAS E ORGANIZAÇÃO SENSORIAL DA CRIANÇA
O momento de retorno às aulas muitas vezes pode ser motivo de grande anisedade para a familia e pra criança: o novo ambiente, a mudança na rotina, novos professores, colegas, e uma nova demanda pedagógica. Administrar tudo isso já não é fácil, ainda mais se a criança apresenta um transtorno do processamento sensorial. Caracterizando sutilmente o transtorno do processamento Sensorial(TPS), se define por uma desordem na qual o cérebro tem dificuldade para receber e responder a informação que vem através dos sentidos. Existem diversas formas de manifestação, porque como sabemos, nossos sentidos são vários e interdependes.

Falando um pouco mais sobre o ambiente escolar, ele é um “mar” de experiências sensoriais vindas de diferentes fontes e em diferentes intensidades. Então, como organizar esses estímulos ou pelo menos “peneirar”, para que uma criança com TPS possa ter um rendimento eficaz nesse ambiente?

Cada escola já tem um currículo e uma organização pra receber seus alunos, desde as atividades à organização da sala de aula, e esses já são fatores que podem influenciar.

Temos diferentes formas de manifestação do TPS, e o mais importante é observar o aluno e seu filho nesses primeiros dias e no decorrer do ano, ele vai mostrar como todas essas informações estão sendo processadas na sua forma de agir e no seu rendimento, atenção, grau de irritabilidade, apatia, agitação, alterações no sono, apropriação dos conteúdos, nível de permanecia nas atividades, conclusão das tarefas(participação efetiva com compreensão), zelo e interação.

Sendo assim, algumas estratégias podem ser adotadas pra facilitar uma participação efetiva da criança nesse ambiente escolar. Muitas delas já começam em casa preparando a criança para o que ela vai encontrar, buscar conhecer previamente a dinâmica do currículo do professor, poder antecipar experiências em casa ou oferecer um estímulo para acompanhar o que vai manter o nível de organização sensorial dentro de uma faixa satisfatória.

Vamos falar de uma maneira mais clara então, uma criança que apresenta um comportamento com dificuldades de processamento , sendo lenta para compreender e captar as informações, pode ter como suporte a exacerbação de um outro estímulo que pode melhorar seu nível de resposta, como por exemplo os coletes de peso(devem ser avaliados junto ao terapeuta) ou almofadas de feijão sobre o colo.
Esses recursos funcionam como estímulos de tato profundo e podem auxiliar no nível de organização. Além disso, o posicionamento dessa criança dentro da sala de aula pode ser mais próximo ao professor eliminando outras fontes de estímulos que podem prejudicar a sua participação em sala de aula (luzes, colegas, janelas, portas e outros). Organizar as atividades de uma forma que se alternem os níveis de atenção e demanda motora podem ser boas alternativas.

Estarmos atentos ao ambiente e considerar mudanças, permitir mudanças de posição do aluno correlacionadas aos estímulos que podem estar em excesso ou em falta, antecipar através de informações prévias as experiências que as crianças vão enfrentar, adaptar atividades, ponderar as exigências e graduar, controlar os estímulos visuais, reconhecer a necessidade de estratégias sensórias compensatórias, avaliar dificuldades motoras podem ser de extrema importância para um bom desempenho.

Márney Costa
Assessor e Consultor da Inclusão Eficiente





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