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24/2/2017
INCLUSÃO ESCOLAR E BARREIRAS ATITUDINAIS
A convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência trouxe uma definição ampliada sobre o que é deficiência, ressaltando a necessidade de considerá-la como resultado da interação da pessoa com os fatores externos, ou seja, uma mudança conceitual que parte do princípio que as condições pertencentes apenas ao indivíduo não são suficientes para caracterizar uma deficiência, mas que a influência de fatores externos a ela, ou seja, fatores ambientais, são determinantes para que ela ocorra. Esses fatores ambientais muitas vezes funcionam como barreiras: limitam ou impedem a participação da pessoa com deficiência de maneira digna, efetiva e igualitária na sociedade.

Trazendo essas barreiras para dentro do contexto escolar, sabemos que a atual proposta de inclusão de pessoas com deficiência exige uma maneira diferente de atuação de todos os envolvidos no âmbito educacional. Muitos obstáculos surgem, trazendo diversos questionamentos e insatisfação para todos os envolvidos. Como esse processo irá acontecer? Quem serão os responsáveis? Como será a postura da escola diante da organização, planejamento e execução das ações relevantes para realizar a inclusão de maneira satisfatória?

A atual realidade educacional brasileira é bastante distanciada das propostas e ideais de inclusão. Para que se faça acontecer a inclusão, inúmeros obstáculos precisam ser superados: a realidade financeira, barreiras físicas que impedem a acessibilidade adequada, barreiras históricas, de comunicação, de formação, estratégias pedagógicas, entre outras. Dentre essas barreiras, existe uma fundamental que será enfatizada neste texto: a barreira atitudinal.

A escola tem um papel fundamental no processo de formação e ajuda a eliminar preconceitos e barreiras atitudinais, mas somente ela não consegue abranger a dimensão real e necessária para que a inclusão de fato aconteça. Como levar os alunos a lidar com o diferente? Trabalhar a cabeça e o preconceito dos pais que reagem quando seus filhos contam sobre um colega “diferente” deles no ambiente escolar. A educação é muito mais abrangente que o espaço escolar, mas que cabe e pode ter princípios norteadores nesse espaço de formação.

Uma série de atitudes pessoais negativas colocam a pessoa com deficiência em situação de discriminação, preconceito, taxadas como incapazes de aprender. Essas atitudes muitas vezes ocorrem de maneira não intencional, visto que são consequências de conceitos internalizados que coloca a pessoa em situação de inferioridade e de segregação perante as outras.

Embora seja possível perceber avanços na ampliação do olhar para as pessoas com deficiência e da importância dos fatores ambientais sobre ela, para que a inclusão escolar aconteça, torna-se ainda necessário desenhar um grande caminho a ser percorrido. Mudança de postura que vai além dos muros da escola. Responsabilidade da sociedade, família e mudança no olhar de todos que encontram-se envolvidos nesse processo. Conhecer e esclarecer as potencialidades das pessoas com deficiência, na maneira em lidar com cada uma delas, respeitando as suas limitações e conhecendo os impactos que uma atitude discriminatória, pode exercer profunda influência na maneira dela agir, se desenvolver e exercer seu papel social.

Mariana de Carvalho
Assessora e Consultora da Inclusão Eficiente



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