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17/3/2017
TERAPIA OCUPACIONAL 100 ANOS E UMA LONGA JORNADA RUMO À IGUALDADE
Nessa semana foi comemorado internacionalmente o centenário da Terapia Ocupacional. Cem anos, muito tempo, não é mesmo? Nem tanto. Em especial no Brasil, ainda muitas pessoas não entendem o papel desse profissional que trabalha exatamente com papeis ocupacionais. Papeis? Ocupação?

Falar sobre isso num primeiro momento pode parecer estranho! Papel? Ocupação? Então isso não se aplica a crianças? Pelo contrário. Quando falamos do público da Inclusão Eficiente crianças com deficiências ou desordens do desenvolvimento pensar em terapia ocupacional é fundamental.

Não à toa, nossa empresa foi fundada por três TOs e uma pedagoga. Hoje cerca de 80% de TOs. Somos apaixonados por educação e reabilitação. Até aí, não há dúvidas. Mas quando a gente diz que os terapeutas também atuam em educação muitas vezes somos questionados: “Terapeuta Ocupacional pode dar curso de adaptações curriculares? Terapeuta Ocupacional entende das demandas de educação no século XXI? O que afinal faz um terapeuta ocupacional na escola, além de prescrever equipamentos, pensar em tecnologia assistiva e adequações posturais?”.

É preciso entender que falar em ocupação é falar em participação, autonomia, papeis sociais. E sim, a escola é a principal ocupação da criança, juntamente com o brincar, outro campo importante do TO. É preciso então mostrar que autonomia não é possível apenas com o aluno na escola, estudando conteúdo diferente dos colegas. É preciso entender que não basta estar, é de participação que estamos falando. Buscar recursos, encontrar caminhos respeitando a diversidade e os percursos individuais de aprendizagem para que cada criança consiga de fato aprender e isso não pode se resumir à alfabetização. É planejar a longo prazo, pensar que conhecimentos do currículo escolar podem contribuir para a participação daquela pessoa, que hoje tem 8, 9 anos, mas um dia terá 18, 19. É preciso pensar em funcionalidade e isso não pode acontecer só quando ele estiver adulto, ou uma longa trajetória terá se perdido.

A educação é sim um dos campos de atuação da Terapia Ocupacional e não foi sem motivo que criamos, em parceria com a Faculdade Santa Rita, uma pós-graduação pioneira nesse tema. A primeira turma, que começa em 2017, pretende reforçar tudo que internacionalmente vem sido discutido e a Lei Brasileira de Inclusão determina, como dever da educação inclusiva (capítulo IV, artigo 28, parágrafo III): “ garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia”.
Autonomia é a alma da terapia ocupacional. A autonomia possível, a autonomia diversa, mas praticada desde a infância, a autonomia que tem que começar na escola, no currículo, e também estar presente, no lazer, no esporte, na reabilitação. E é por isso que a gente é tão apaixonado pelo que faz.
Não é possível que a gente sonhe com uma sociedade mais justa e igualitária no futuro, se a gente não convive com a diversidade e busca recursos para garantir a participação de todos desde agora. Na escola, no lazer, na família. Então, apesar de a área estar comemorando seu centenário, há ainda um universo a ser construído. Nós estamos fazendo a nossa parte, aprendendo e ensinando em cursos, consultorias, compartilhando conhecimento, mostrando que inclusão é possível e construindo novas reflexões para que os próximos cem anos sejam ainda melhores. Para todos!

Régis Nepomuceno, Diretor da Inclusão Eficiente



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