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24/3/2017
ANINHA: SEUS FLASHS, SUAS INTERVENÇÕES E O SEU DIA A DIA
Chapecoense, a menina de 8 anos Ana Luísa, é uma graça, encanta a todos nos lugares que passa, gosta de ir ao Shopping, nadar, ir ao parquinho e até mesmo brincar de salão de beleza e posar para fotos, fotos e mais fotos, como todas as outras meninas de sua idade. Ah, a Ana Luísa tem Síndrome de Down, e vamos contar um pouco sobre seus dias ocupados e divertidos, em busca de fazer tudo aquilo que ela quer e precisa, para continuar seu desenvolvimento integral.

Aninha, como carinhosamente é chamada, frequenta o segundo ano do ensino fundamental em uma escola regular, instituição esta que viu a evolução desde os primeiros dias da vida escolar. Indicado por todos os médicos e terapeutas como ideal, ela realizou desde os primeiros dias de vida, todos os tratamentos necessários em busca de desenvolver todas as suas habilidades, passando por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, aulas de natação e suporte escolar, mas algumas demandas, ainda hoje, necessitam de estratégias diferenciadas para serem dribladas, como o uso da aprendizagem escolar em outros ambientes, melhoria na participação em todos os contextos sociais e até mesmo mudança na rotina, por dificuldade de lidar com informações novas e inesperadas.

Como forma de suporte às suas necessidades, tanto escolares quanto terapêuticas, Aninha começou o trabalho com a Acompanhante Terapêutica, orientada pela equipe da Inclusão Eficiente, por meio do Programa de Intervenção Domiciliar LIFE, que visa, no seu caso, melhorar a exploração da cognição no ambiente natural, levar para prática as habilidades aprendidas na escola e nas terapias e contribuir para seu desenvolvimento integral, numa prática colaborativa e não excludente, já que tal programa não substitui nenhuma das atividades já realizadas.
Questões corriqueiras como, cuidar dos animais, organizar seus materiais de escola, criar uma rotina através do aplicativo Minha Rotina, preparar algumas comidas, por meio de oficina de culinária assistida, entre outras muitas ações, fizeram com que Aninha pudesse melhorar algumas habilidades como consequência, como seu raciocínio lógico e a espontaneidade ao falar.

Explorar é a palavra chave quando se trabalha com estimulação em ambiente natural e pelo dia a dia, nada pode ser executado apenas, é preciso garantir que tenha significado, que trabalhe com os gostos da criança, que a mesma entenda os por quês das atividades, e que vença todos os desafios sem que as estratégias pareçam algo pesado e obrigatório. Satisfação e motivação são primordiais para as melhorias em qualquer intervenção.

A rotina da Aninha hoje, é realizar as tarefas escolares que são enviadas para casa de uma maneira diferente, além de levar para escola as produções solicitadas pelos professores, é mostrado para ela, de diversas maneiras, de que forma é aplicado, ou que interferência a temática tem na sua vida. Aos terapeutas são levadas informações que facilitam as abordagens, já que toda intervenção, além de ser interligada, tem a própria Ana, sua família e suas coisas, como personagem da sua própria estimulação.

As intervenções são realizadas também no ambiente escolar, proporcionando por meio da adaptação curricular e ligação de contextos - escola e casa, a exploração efetiva dos conteúdos, buscando a apropriação destes respeitando suas dificuldades e ressaltando suas habilidades e, sempre de acordo com a temática que o ambiente oferece para todos os alunos. Levando também para a escola, a mesma estruturação utilizada em casa, oportunizando por meio da antecipação, fragmentação, exploração e resgate, a organização necessária para a criança aproveitar ao máximo as aprendizagens que este ambiente oferece. Aos poucos, Ana vem se apropriando de seu papel neste ambiente também, sendo necessárias intervenções em relação aos aspectos sociais, devido às percepções referente à sua deficiência, que a criança vem se apropriando.

Os resultados desta intervenção, vêm através de muito esforço, principalmente da Aninha e de sua família, mas o fato de seguir tendências mundiais, que percebe a terapêutica como interdisciplinar e entre todos os contextos é fundamental. A inclusão escolar, reabilitação, intervenção domiciliar e participação social precisam formar uma rede de colaboração, onde o foco e o nível de importância não devem ultrapassar o fator de mais importância e motivação deste processo, a Ana Luísa.

Nós, da Inclusão Eficiente, escrevemos este texto na semana que comemorou-se o Dia Mundial da Síndrome de Down, salientamos que a história da Ana é tão importante quanto todas outras crianças, lembramos que tudo deve ser personalizado, frente a habilidades e dificuldades apresentadas, deve se olhar muito além do diagnóstico e nunca esquecer que as crianças devem ser protagonistas de qualquer coisa que ela faça. E a Aninha, além do muito obrigado, estamos a espera de mais e mais flahshs!


Vanessa Maghry, Pedagoga
Régis Nepomuceno, Terapeuta Ocupacional
Assessores da Inclusão Eficiente



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