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7/4/2017
A IMPORTÂNCIA DA EXPLORAÇÃO DO DIA A DIA DE CRIANÇAS COM DISFUNÇÕES MOTORAS
Ao pensarmos no desenvolvimento infantil, na sequencia básica dele, toda criança passa pelas etapas de primeiro rolar, sentar, engatinha para depois andar. Este processo natural proporciona momentos de exploração do contexto em que a criança está inserida. Para Vygotsky a cognição é construída a partir das interações entre os indivíduos, portanto a criança se desenvolve por meio da exploração do ambiente em que vive.

Por isso é necessário que as crianças explorem a casa e os ambientes, por exemplo, quando começam a sentar e engatinhar elas começam a mexer nas gavetas, tirar panelas dos armários, livros e demais objetos da família que estejam ao seu alcance. Embora essas atitudes da criança possam gerar cansaço nas famílias e cuidadores, esses momentos são de extrema importância para o desenvolvimento integral do indivíduo, pois por meio desta exploração a criança interage com o meio, melhorando as estruturas cognitivas, compreendendo o meio em que vive e melhorando suas habilidades e capacidades motoras e cognitivas.
Porém, quando se trata de uma criança com deficiência física, mas que possui a cognição preservada muitas vezes ela fica com dificuldade em planejar e sequenciar, bem como entender situações do dia a dia por falta de exploração e vivencias em decorrência das limitações físicas.
A falta de exploração natural (engatinha, andar, explorar o ambiente) que acontece com a criança com deficiência física, acaba limitando a criança para compreender processos básicos do dia a dia, como por exemplo, compreender a falta de um produto em casa, compreender que para ter o que deseja em casa é necessário todo um processo de “o pai/mãe trabalhar para ter dinheiro para comprar, ir ao mercado, comprar, pagar, levar para casa".
Em um caso como o exemplo acima, não significa que a criança não compreende o processo por falta de estrutura cognitiva, mas sim por falta de exploração que dê subsídios para compreender o processo. Portanto, no LIFE (Programa de Intervenção Domiciliar) nós trabalhamos os processos de planejar, executar e resgatar o que foi aprendido, para que a criança com deficiência física possa compreender processos que não foram explorados naturalmente.
Por exemplo, com o João, cliente do LIFE desde os 3 anos de idade, com diagnóstico de Paralisia Cerebral (PC) foi trabalhado todo o processo de compreensão de processos básicos, por exemplo, quando ele pediu sorvete e a mãe disse que não tinha, ele respondeu que era só abrir a geladeira e pegar o sorvete, a mãe explicou que não tinha, levou ele até a geladeira para ver e ainda assim não conseguia compreender como que “se na semana passada tinha sorvete em casa, por que agora não tem mais?”. Então o João junto com sua acompanhante terapêutica (AT) fizeram todo o processos de exploração, de pesquisar como o sorvete chegava no mercado, planejaram o caminho até o mercado, pediram dinheiro para a mãe, foram ao mercado, escolheram o sorvete, pagaram e voltaram para casa.
Neste processo de exploração João conseguiu compreender que quando aquele pote de sorvete chegasse ao final, seria necessário refazer todo o processo feito com sua AT e posteriormente, por meio de outras explorações, conseguiu generalizar este processo para outros produtos/ situações do dia a dia. Portanto o LIFE visa planejar, explorar e resgatar momentos de vivencia que proporcionem a exploração que não ocorreu de maneira natural com esta criança.

Giulia Gallo
Assessora e Consultora da Inclusão Eficiente




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