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21/4/2017
OS CAMINHOS DA INCLUSÃO
Muito se fala em inclusão ultimamente, e uma parte responsável pelo fato da inclusão ganhar mais foco de discussão foi a implementação de leis que reascenderam a discussão e o papel da pessoa com deficiência na sociedade de um modo geral. No caso da inclusão escolar por exemplo, as novas leis reafirmam o direito ao acesso a educação. Porém a inclusão escolar é apenas uma delas, entre tantas outras “inclusões” que almejamos para qualquer pessoa, com ou sem deficiência. Como também, a criação de leis é uma consequência de movimentos sociais que emergiram há muitas décadas atrás, em busca de defender os direitos das pessoas com deficiência.

Em relação a pessoa com deficiência, em qualquer faixa etária, estigmatizada e excluída por um longo período, quando olhamos para a história e o desenvolvimento da exclusão dentro da sociedade, nos deparamos com algo que gera um contrassenso: uma sociedade que busca evoluir as custas de criar padrões conceituais daquilo que é aceitável, produtivo e bem sucedido aos seus olhos excludentes. Fecham-se aí diversas portas, sem acesso as escolas para as crianças, sem acesso ao trabalho para os adultos. Sem contar as outras esferas como o acesso ao lazer, e coisas tão básicas e alheias a nossa vontade como acesso à saúde, quando necessário.

Podemos pensar enquanto cidadãos, qual é o nosso papel frente as diversas esferas dessas “inclusões”, um tanto fragmentadas quando discutidas em termos de garantia de acesso mediante leis, por exemplo. Porém, não é somente de inclusão fragmentada que precisamos, a pessoa com deficiência, busca um lugar social, que na verdade sempre deveria ter sido seu e lhe foi tirado. Aos poucos, vamos lançando sementes que fazem questionar esta lógica errônea onde se desenvolveu tanta exclusão e pré-conceitos.

Não basta lutar somente por uma inclusão isolada, fragmentada, e não lançar nosso olhar através da linha do tempo, a história da exclusão que nos trouxe até aqui. Necessitamos compreender o impacto que isto tem em todas as esferas e refletir sobre nosso papel para que a inclusão verdadeira de fato ocorra.
Construir a inclusão é um papel de todos nós, através de políticas públicas e atitudes que saiam do papel, e se transformem de fato em vivências naturalizadas, onde se faça valer a premissa de que , o lugar de todos, com ou sem deficiência, é onde ele desejar estar. Usufruir de todos os espaços sociais, na esfera pessoal ou pública, educacional ou no lazer, deve ser um direito assimilado e naturalizado. Até lá, temos um caminho a percorrer, proporcionando reflexão e iniciativas que transformem cada vez mais os espaços para que possam receber de maneira inclusiva, respeitando os princípios de equidade, todas aquelas pessoas que assim desejarem.

Aline Zanotto
Assessora e Consultora da Inclusão Eficiente




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