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28/4/2017
DEVEMOS PENSAR NA INCLUSÃO NO MERCADO DE TRABALHO APENAS NA FASE ADULTA?
Quando o assunto é inclusão, a preocupação dos pais sobre o futuro de seus filhos com deficiência está se tornando cada vez mais evidente. Ouvimos com frequência questionamentos e aflições sobre o futuro de suas crianças, o que acontecerá com elas quando acabar a escola, como será a rotina, elas irão produzir, poderão trabalhar para terem mais independência e exercerem seus direitos de cidadãos de maneira plena?

Sabemos que o trabalho faz parte e é essencial na vida de qualquer indivíduo na vida adulta, e o mesmo não pode deixar de ser considerado para as pessoas com deficiência. O trabalho representa uma possibilidade de exercício de habilidades e superação de dificuldades a favor de algo ou alguém, além de proporcionar um ambiente de trocas, aprendizagem, convívio social, melhora da autoestima e benefícios financeiros indispensáveis para a sobrevivência.

Em nosso país, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho tem aumentado com o passar dos anos, e várias leis asseguram esse direito. No entanto, muitas estratégias ainda devem ser criadas e ampliadas em várias esferas para o aumento da contratação dessas pessoas, incluindo a valorização salarial, o impedimento da alocação em cargos estereotipados que subestimam a capacidade real da pessoa com deficiência, aumento da oferta de serviços de capacitação profissional, construção de políticas públicas favoráveis, ampliação na fiscalização das empresas com cotas destinadas a essas pessoas, melhora na acessibilidade no ambiente de trabalho e otimização das práticas inclusivas individualizadas que favoreçam a participação e produção dessas pessoas no trabalho.

Além do preconceito, que ainda representa um grande entrave na inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho, é importante considerar o preparo insuficiente durante a educação básica, outro fator que dificulta este acesso. Muitos chegam a abandonar os estudos nas escolas por diversos fatores que impedem a conclusão no ensino fundamental e médio, e muitas empresas exigem uma escolaridade mínima para a contratação destas pessoas. Sendo assim, durante o processo educacional das pessoas com deficiência, é importante que haja preparo e a capacitação tanto das escolas quanto dos profissionais, para que seja oferecida uma educação de qualidade, que irá ajudar a desenvolver habilidades importantes para a inclusão no mercado de trabalho.

Outro fator importante quando se fala dessa inclusão no mercado de trabalho é a família, que muitas vezes não recebeu apoio nem orientações sobre o potencial desta pessoa para desempenhar uma função remunerada, ou sofre com a falta de recursos para buscar tratamentos e apoio educacional especializado. Também há a insegurança dos familiares devido a discriminação e preconceito tão presentes na sociedade, o que dificulta ainda mais o acesso e investimento nessas pessoas.

Ao fazermos parte de um trabalho em inclusão, nos deparamos diariamente com diversos desafios neste processo. É necessária a reflexão por parte dos profissionais da educação, profissionais da reabilitação, da sociedade e da família de que aquela criança em processo de inclusão escolar está se construindo enquanto sujeito, irá crescer, irá ocupar outros espaços sociais quando terminar os estudos. Então, o que devemos fazer por estas crianças hoje para que no futuro também possam ocupar o papel social do trabalho? Adotar práticas educacionais eficazes e inclusivas desde a infância já faz parte do processo de possibilitar o acesso ao mercado de trabalho futuro.

Conscientizar a sociedade sobre os direitos, habilidades e desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência contribui para lutar contra preconceitos e estigmas. Contribui para que para estas pessoas não sejam excluídas de todo o processo natural da vida em sociedade, desde a escola até o mercado de trabalho. A convivência de crianças com desenvolvimento típico junto às crianças com deficiência desde cedo através de uma inclusão verdadeira, com o suporte necessário, já ajuda a combater o preconceito, o que é favorável para todas as partes. A adoção de práticas escolares inclusivas adequadas, coerentes e voltadas para as necessidades específicas de cada indivíduo constitui uma escada para chegar em uma porta que se abrirá no futuro para essas pessoas. Desta maneira, auxiliar no desenvolvimento de habilidades da criança focando sempre na independência e na autonomia, será fundamental para que o processo de inclusão ocorra na escola e também após o seu término, possibilitando a entrada no mercado de trabalho e maior participação na sociedade.


Mariana Carvalho
Assessora e Consultora da Inclusão Eficiente.



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