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5/5/2017
SAÚDE MENTAL DA FAMÍLIA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
A promoção de saúde das pessoas com deficiência, englobando a qualidade de vida, é muito abordada, o que de fato é de extrema importância, além da garantia de direitos, tratamentos e inclusão em todos os contextos que a pessoa se insere. Entretanto, não podemos deixar de discorrer sobre a promoção de saúde e qualidade de vida dos pais e/ou cuidadores dessas pessoas, que necessitam estar bem para proporcionar meios saudáveis para o desenvolvimento integral da pessoa com deficiência, pois a família também precisa estar integrada e aprender a lidar com os novos contextos e com a condição do indivíduo, seja ela qual for. A família que estiver aberta, terá melhores condições de lidar com as diferentes demandas que vêm e vão.

Algumas deficiências podem ser diagnosticadas ainda na gravidez (como a Síndrome de Down), porém outras são percebidas apenas após o nascimento. Com um desenvolvimento aparentemente típico até dois ou três anos aos olhos dos pais, apenas quando a criança começa a crescer e alguns marcos do desenvolvimento não aparecem os pais começam a se preocupar. Possivelmente, estas características já estavam presentes desde bebê, porém por serem brandas só foram percebidas mais tarde (como, por exemplo, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista). Em ambas as situações o luto ocorre, e percebemos o quanto os pais ficam desorientados e sem saber por onde começar com a lista de tratamentos prescrita.

É fácil falar, não é? Difícil é passar por todas essas fases. E não podemos iludir os pais/cuidadores de que não é tão difícil e que eles aprenderão a conviver com toda a demanda de maneira rápida. Pois, é esperado que aconteça o luto pela perda de um filho que já foi gerado na imaginação e intenção de cada pai e de cada mãe e estes merecem atenção tanto quanto a criança.

O começo é extremamente delicado e necessita-se de tempo para que a família conheça qual é a deficiência, quem é o seu filho e perceba suas necessidades, desejos, potencialidades e habilidades. Para tanto, o programa de Intervenção Domiciliar da Inclusão Eficiente o LIFE, auxilia as famílias neste sentido, apresentando formas de incluir esta pessoa com deficiência no sistema familiar, para que ela também tenha sua função em casa e seja ativo em seus diferentes contextos à sua maneira. Contudo, os ajustes precisam vir de ambas as partes, a família precisa se adaptar à esta criança e suas demandas, dificuldades e facilidades, porém a criança também precisa ser inserida no modelo familiar já existente. Nós auxiliamos as famílias a conhecerem melhor seus filhos e a encontrar meios de promover essa qualidade de vida, trabalhando para a autonomia e independência junto com o Acompanhante Terapêutico, terapeutas e escola, ampliando suas habilidades e trabalhando na evolução das dificuldades.

Há muitas mudanças no cotidiano da família com o nascimento de uma pessoa com deficiência, seja na relação entre os membros familiares, vida social, financeira, rotina doméstica e lazer. Além dessas alterações no esquema familiar, há a vida psíquica de cada membro que merece atenção. Muitos sentimentos surgem, como medo, aflição, desconfiança, desesperança, entre outros, que barram as decisões a serem tomadas e que merecem espaço e cuidado.

É considerado natural e esperado que a família, referindo-se mais precisamente aos pais e cuidadores, passem por todo esse momento de ressignificação familiar, mas quê, o tempo passará e a criança precisará do apoio e empenho de seus cuidadores para conseguir uma exploração e prática adequadas. Para que passem tranquilidade e segurança aos seus filhos, os familiares precisam estar seguros e tranquilos, para tanto, é necessário ter uma rede de apoio social que pode ser composta por familiares, amigos e inclusive profissionais capacitados.

Marina Lorenceti
Assessora e Consultora da Inclusão Eficiente




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