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19/5/2017
O BRINCAR NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Desde o nascimento a criança utiliza a motivação do brincar para desenvolver suas habilidades. É para pegar o objeto brilhante ou colorido que a criança balança as mãos, os pés, levanta a cabeça, rola, sorri, chora, comunica com as pessoas e assim segue o seu desenvolvimento. Utiliza uma habilidade aprendida antes para explorar cada vez mais o ambiente e os desejos. Aos poucos vão transformando as vivências de brincadeiras para o dia a dia em casa, na escola, na comunidade, e vice e versa, vão transformando o que vê na vida em brincadeira e ampliando as habilidades motoras, cognitivas, comunicativas e sociais. Esse desenvolvimento vai acontecendo de maneira gradual e em etapas contínuas e permanentes.

O ato de brincar, para a criança, é natural e quase instintivo, não tem uma intenção propriamente dita de aprender alguma coisa com aquele objeto ou brincadeira e ela adquirirá a cada experiência, características vinculadas aos contextos sociais, culturais e emocionais existentes. Além disso, as crianças vão aperfeiçoando cada dia suas potencialidades, superando suas limitações e encontrando maneiras de compreender a si mesmas e o outro no mundo.

Pensando assim é fácil entender o papel do brincar no desenvolvimento das crianças. Podemos entender que todo tipo de brincar e de brincadeira é utilizado naturalmente como ferramenta para aprender e desenvolver habilidades necessárias para o presente e o futuro. Dessa forma o desenvolvimento da criança depende dos fatores naturais e individuais dela mesma e ao mesmo tempo dos estímulos que recebe do meio ambiente. O ambiente, então, deve ser rico em oportunidades para a criança, dependendo de sua idade e de suas características, suas vontades, preferências e necessidades.

Os atrasos no desenvolvimento, presentes nas crianças com quaisquer deficiências, estão, muitas vezes, vinculados a esses aspectos naturais da evolução das pessoas. Se a criança tem dificuldades em brincar, seja por qualquer motivo (não consegue controlar os movimentos do corpo, as sensações, os pensamentos, a comunicação e as habilidades sociais), irá automaticamente deixar de aprender habilidades importantes para seu desenvolvimento que aparecerá nas tarefas do dia a dia, na escola e nas relações com os colegas e as pessoas de seus convívio.

Se é através do universo do brincar e suas particularidades que as pessoas se desenvolvem, essa é automaticamente a chave para explorar o desenvolvimento das crianças com desordens e atrasos no aprendizado. Baseado nisso é que terapeutas, educadores e pais precisam buscar, através do brincar os objetivos necessários para os aprendizados das crianças, sejam eles em qual área do desenvolvimento necessitar.

Além de interpretar o brincar como um recurso indispensável para o desenvolvimento das crianças, é importante lembrar que muitas delas não conseguem cumprir totalmente o seu papel de brincante na sociedade, seja em casa ou na escola, sozinho ou em conjunto. Sendo assim, esse passa a ser também um dos objetivos dos terapeutas, pais e educadores. É necessário ensinar as crianças a brincar, a entender os objetos e os brinquedos, entender as relações simbólicas nos jogos de grupos, entender as maneiras de comunicar e participar das mesmas.

Temos então, que brincar é tanto instrumento de intervenção quanto objetivo. Esse é um grande desafio, s estratégias para alcança- los devem estar presentes em casa e também na escola. Deve-se preocupar com as brincadeiras individuais e em grupo, ensinar as crianças a brincar e ao mesmo tempo ensinar as outras crianças a compreender as limitações e as necessidades do colega. É necessário encorajar a todos nesse cumprimento e incluir nos planos de ensino e nos terapêuticos o brincar como objetivo, como necessidade, treinando habilidades necessárias, tanto físicas, como sensoriais, emocionais e culturais.

Alice Wilken
Assessora e Consultora da Inclusão Eficiente



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