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28/7/2017
INOVAÇÃO NA INTERVENÇÃO COGNITIVA DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS
O envolvimento da família no desenvolvimento da pessoa com deficiência é muito importante. Encorajar e dar suporte para que haja envolvimento com o seu ambiente natural de maneira eficaz e que seja interessante para ela, abre um leque de possibilidades em que a mesma experimente o mundo real de acordo com suas necessidades específicas, desenvolvendo suas habilidades cognitivas.

Atualmente, auxiliar a participação da pessoa em diferentes ambientes, vem possibilitando a contextualização e a generalização da aprendizagem. Isso ocorre através da exploração de atividades simples do dia a dia que estimulam o seu desenvolvimento cognitivo, sendo que essa estratégia feita desta maneira encontra-se bem mais avançada em alguns países, como nos EUA, onde a intervenção até acontece em clínicas, mas tem um enfoque de uso funcional no ambiente domiciliar.

Essa exploração pode ser feita de diversas maneiras, como atividades que possam ensinar sobre os elementos da natureza, como por exemplo: as plantas. Ensinar a plantar permite que seja feita uma estruturação da atividade, que estimula as habilidades cognitivas de planejamento, sequenciamento, atenção e execução, além de possibilitar o contato com diferentes texturas, seja com as plantas, terra, água e estimulação da linguagem, que também depende do desenvolvimento cognitivo. Outro exemplo seria o contato com os animais: explicar sobre os sons que eles fazem, o que eles comem, suas características, onde vivem, seus ambientes naturais, nomear. E ainda, atividade com piquenique no qual a pessoa pode montar o seu próprio sanduíche e ter contato com diferentes alimentos que podem ser nomeados e explorados. Cada atividade deve ainda respeitar a faixa etária.

Além da cognição, outras habilidades podem ser exploradas dentro dos contextos: em locais públicos, regras e comportamentos sociais podem ser trabalhados com a criança como, atravessar a rua e regras de trânsito, de convivência, dentre outras inúmeras possibilidades de estimulação contínua e real.

Ideias de atividades cotidianas podem surgir de acordo com o que os locais oferecem, sendo estes: praças, parques, zoológicos, fazendas, supermercados, praias, nos quais habilidades que precisam se desenvolver podem ser estimuladas, por exemplo, através dos sons emitidos e as referências à ele sobre a que se referem, nomeação de objetos, animais, cores, desenhos com giz nos chãos, com palitos na areia. Ir ao supermercado com uma lista de compras que a criança ou adolescente ajudou a elaborar, orientar para se localizar, trabalhar quantidade, números, categorizações é uma oportunidade muito rica de aprender e desenvolver conceitos. Quanto às atividades em casa podem incluir desde atividades como o banho no animal de estimação, até separar as roupas por cores e tamanho, como também outras tarefas relacionadas a casa.

Em ambientes que favorecem a convivência com outras pessoas, estimular o brincar nas crianças e a interação de acordo com as idades, utilizar instrumentos como bicicleta, patins, patinete, bola, que dependem de influência cognitiva para serem realizados. Ideias que vão além da clínica, de maneira ampla e contextualizada, que vão desde o empenho e criatividade da família para se engajarem, além de permitir que as pessoas com deficiência façam suas escolhas, o que também faz parte do desenvolvimento cognitivo.

Conhecer e respeitar as limitações e necessidades de cada pessoa é fundamental para estruturar mais essas atividades, por exemplo: algumas pessoas com Transtorno do Espectro Autista podem precisar de mais imagens para se organizarem, aqueles que precisam de comunicação alternativa precisarão desse suporte para conseguir interagir, demonstrar seus desejos e necessidades e dar respostas a questionamentos, e assim ampliarem seu entendimento, compreensão e comunicação efetiva.

O Programa de Intervenção Domiciliar LIFE utiliza essas estratégias de inovação através de atividades domiciliares personalizadas e individualizadas de acordo com a demanda de cada pessoa, seguindo tendências internacionais e inovadoras, de customização, funcionalidade, interdisciplinaridade, ligação de contextos, inclusão em vários ambientes, e principalmente, mais do que respeitar as dificuldades de cada cliente, permitir que mesmo de maneira diferente, ele possa, da sua maneira, realizar tudo aquilo que precisa ou deseja.

Mariana Carvalho, Assessora da Inclusão Eficiente Sul.




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