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12/6/2016
AUTISMO E O TRANSTORNO DO PROCESSAMENTO SENSORIAL
Em uma breve definição sobre o comportamento da criança com TEA(Transtorno do Espectro Austista) encontramos características como baixa reciprocidade sócio-emocional, comprometimentos na fala e comunicação que podem ou não virem acompanhadas de outros sintomas que estarão relacionados ao nível em que o espectro se manifesta.

Entre esses outros sintomas do TEA (Transtorno do Espectro Autista) podem estar as alterações na sensibilidade aos diversos estímulos sensórias.

Nota-se que indivíduos com TEA apresentam uma forma particular em processar os estímulos em todos os âmbitos sensoriais sejam eles estímulos auditivos, gustativos, olfativos, visual, táteis, proprioceptivos e vestibulares.

O TPS (Transtorno do processamento sensorial) refere-se a quando ocorre uma desorganização, e o processamento sensorial acontece de forma inadequada. Cada um dos sentidos mencionados acima podem apresentar alterações e as crianças podem se demonstrar hipersensíveis ou hiposensiveis. Por exemplo, algumas crianças tendem a se movimentar incansavelmente para se manter em alerta ou acalmar seu nível de ansiedade, outras demonstram extremo desconforto com cheiros(hiper), sons comuns do dia-a-dia como o barulho de uma campainha, comem alimentos com cores especificas ou só toleram alimentos que possuem uma determinada textura. Tudo isso pode se dar em diferentes níveis e cada criança tem seu comportamento sensorial especifico. Quando esses níveis apresentam alterações que trazem prejuízos comportamentais, emocionais e cognitivos podemos suspeitar de TPS.

Observando esses comportamentos surge a abordagem da Integração Sensorial, desenvolvida pela Terapeuta Ocupacional Dra. A. Jean Ayres (1972, 1979, 1982), que fundamentou o método a partir do funcionamento do sistema nervoso central e da forma como recebe e organiza a variedade de informações sensoriais provenientes do meio ambiente.

Baseado em conceitos de neurodesenvolvimento e neuropsicologia, a abordagem procura explicar a relação entre a habilidade do SNC em organizar e processar os estímulos recebidos do ambiente pelos receptores sensoriais e os comportamentos motores, cognitivos e emocionais emitidos em resposta à situação geradora.

Ayres destacou três importantes aspectos relacionados ao processamento sensorial ineficiente observado na criança com TEA. O primeiro indica que estímulos sensoriais não são registrados adequadamente. O segundo, que os estímulos percebidos não são modulados de forma correta pelo SNC, principalmente no que diz respeito aos estímulos vestibular e tátil. O terceiro indica inabilidade em integrar as muitas sensações do ambiente e, consequentemente, falha na percepção espacial e dificuldade de relacionamento com o ambiente. Schwartzman (2011: 299)

No dia-a-dia observamos varias situações naturais do sistema nervoso central adaptar aos diversos estímulos, por exemplo quando vemos um bebé levar sua mãozinha a boca ou aproximar e afastar a mãozinha do olho, bater os pezinhos no mobile, rolar, quando caminham de pés descalços ou giram em torno do seu próprio corpo, em todos esses momentos eles estão buscando naturalmente integrar sensorialmente os estímulos.

Em Crianças com TEA o desenvolvimento sensorial não é diferente, a informação sensorial que ajuda o cérebro a se organizar precisava ser vivenciada da mesma forma através de atividades como rodar, balançar, correr, pular, bater, tocar, mastigar, apertar, e cheirar. Porém as crianças com TEA geralmente necessitam fazer estas atividades por formas e períodos intensos que variam de acordo com suas necessidades. Em alguns casos a permanência em algumas dessas atividades por tempos maiores podem ser observados, sugerindo comportamentos de autoestimulação. São comportamentos sensoriais comuns: correr de um lado para o outro, se balançar, não tolerar o toque, ter a necessidade de manter objetos na mão, seletividade alimentar, baixa tolerância a diferentes texturas, baixa tolerância a ambientes com muita informação sensorial visual e auditiva (ex. shopping, supermercado ou grandes aglomerações) entre outras.

A dificuldade no processamento sensorial esta diretamente relacionada a participação da criança com TEA, restringindo sua participação e servindo muitas vezes como barreira para o engajamento em atividades. “É difícil para a criança autista com déficits sensoriais engajar-se em transações sociais devido à pobre regulação da ativação, atenção, afeto e ação” (Anzalone & Williamson, 2000; Baranek, 2002)

Por isso, é fundamental que o profissional descubra a função dos comportamentos da criança que indicam como o input sensorial deveria ser alterado. No caso da hiper-reatividade deve-se procurar diminuir ou evitar o excesso sensorial e nos casos de hipo-reatividade aumentar, ajudar a criança a modular suas sensações e criar um ambiente social e físico seguro e previsível (Anzalone & Williamson, 2000; Baranek, 2002)

A Terapia de integração Sensorial trás uma grande contribuição no tratamento das Crianças com TEA, por funcionar como um mecanismo capaz de balancear as necessidades da criança, oferecendo a elas formas para administrar os estímulos e filtrar suas necessidades sensoriais.

Uma forma de tornar mais fácil a vida e participação social da criança com TEA é construir uma Dieta Sensorial que contemple as necessidades da criança. A implementação desse programa visa ampliar e possibilitar a exploração da criança e é feita exclusivamente pelo profissional da Terapia Ocupacional.

Marney Costa
Terapeuta Ocupacional



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