Compartilhe
Tamanho da fonte


5/6/2016
INTERVENÇÕES NO AMBIENTE DOMICILIAR: GENERALIZANDO O CONHECIMENTO APRENDIDO NA CLÍNICA E NA ESCOLA.
Comumente as pessoas me questionam sobre a importância e vantagens em oferecer intervenções diárias no ambiente domiciliar aos meus clientes, as perguntas mais frentes são: “mas não é muito tempo?”, “ele fica o tempo todo fazendo atividade pedagógica?”, “fica a manhã/tarde toda trancada em um quartinho fazendo atividades?” e “ele (a) não precisa ter tempo livre para brincar?”.

E é então que eu afirmo que é melhor ele ficar o período todo com atividades estruturadas que possam dar base para a criança absorver e desenvolver melhor o conteúdo de habilidades ensinadas em atendimentos clínicos ou na escola do que ela ficar “solta” no período contrário da escola, sem saber exatamente como aplicar todo o conhecimento.

Sim, é claro que a criança precisa de tempo livre para brincar! Mas considerando-se que esta é uma criança com dificuldades e inabilidades inatas em iniciar (ou manter) uma brincadeira, interação com outras pessoas ou até mesmo atividades mais básicas como vestir-se, comer e tomar banho deve-se partir do princípio de que esta criança necessita de ajuda constante para iniciar (manter e finalizar) estas atividades com sucesso. Ao invés de ter alguém que possa fazer estas atividades por ela, visamos que esta pessoa seja um acompanhante terapêutico (AT), que defino como alguém que possa facilitar a atividade quando necessário e dificultar quando estiver fácil e desestimulante. Que esta pessoa por meio de uma rotina bem estruturada possa contextualizar o que foi aprendido nos atendimentos clínicos ou na escola dando base e suporte para a criança generalizar os conhecimentos daquele ambiente protegido, levando para sua realidade aquelas habilidades. Isto é, fazer com que os componentes cognitivos aprendidos nos ambientes terapêuticos se tornem em habilidades utilizadas no dia a dia.

Assim, respondo sempre “sim, é claro que a criança precisa de um tempo para brincar”, mas é importante lembrar que o brincar é livre para a criança, mas que para o AT a brincadeira é estruturada, o adulto mediador saberá exatamente a hora de intervir, de facilitar ou dificultar esta brincadeira, que por meio dela a criança poderá fixar e generalizar os conhecimentos previamente aprendidos.

Giulia Calefi Gallo
Terapeuta Ocupacional da Inclusão Eficiente Sul.
Mestra em Educação Especial pela UFSCAR
Assessora e Consultora em Inclusão e Reabilitação
CREFITO10-15863TO



voltar