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10/6/2016
CURRÍCULO ADAPTADO E CONTEXTUAL: POSSIBILITANDO A APRENDIZAGEM A TODOS
O ensino regular possui a Grade Curricular, cuja consta os conteúdos e objetivos de aprendizagem almejados com os mesmos, para cada etapa do desenvolvimento escolar. Estes conteúdos são organizados de acordo com o desenvolvimento humano típico, portanto possui exigências de acordo com a faixa etária dos alunos e estas, logicamente gradativamente aumentam o nível.

A organização do currículo é fundamentada no BNCC Base Nacional Curricular Comum, conforme orientações do MEC Ministério da Educação, portanto este currículo possui aplicação nacional, porém recomenda-se que o mesmo seja adequado ao contexto em que as crianças estão inseridas, de maneira mais ampla (cultural, regional e comunidade). No entanto não é adaptado à individualidade da criança, sem haver a valorização dos diversos tipos de aprendizagem.

Portanto: porque uma criança e/ou adolescente com deficiência deve frequentar o ensino regular? Será que ele aprende os conteúdos escolares?

Já é sabido da importância social e desenvolvimentista da frequência da pessoa com deficiência no ensino regular, assim como sua inclusão em todos os âmbitos sociais. Porém as pessoas de inclusão “gritam” por uma inclusão efetiva, na qual não está apenas inserido no ambiente, mas possui participação ativa no mesmo. Possui-se ciência também de que a escola é o segundo ambiente social em que a criança e adolescente frequentam por maior período de tempo do seu dia, desta maneira deve-se buscar utilizar este ambiente a favor desta pessoa, que nele está sendo incluso e efetivar sua participação de maneira que colabore em seu desenvolvimento.

Para efetivar a participação da pessoa com deficiência em âmbito escolar, além das adaptações físicas que poderão haver a necessidade de ser realizadas, há a adaptação curricular, onde o objetivo é adaptar a maneira em que o conteúdo será apresentado ao aluno de inclusão, de maneira contextualizada, ou seja, realizando a todo momento associações dos demais contextos em que a pessoa com deficiência está inserida aos conteúdos escolares.

O princípio para que a adaptação curricular ocorra com efetividade, é desvincular a aprendizagem da alfabetização. Pois é necessário desconstruir a associação de que a pessoa só será capaz de aprender após ler e escrever, desconsidera desta maneira toda a aprendizagem já conquistada até a etapa do desenvolvimento em que a criança adquiriu a habilidade da leitura e escrita. Sendo assim, o currículo adaptado é adequar o conteúdo à maneira de aprender desta criança de inclusão.
Desta maneira é possível propiciar que uma criança com um atraso significativo no desenvolvimento esteja participando deste ambiente de maneira eficaz, mantendo-a no mesmo contexto de aprendizagem que as demais, e ao mesmo tempo atendendo as necessidades de aprendizagem específicas dessa criança. É possível, também, oferecer à essa criança a oportunidade de aproximar-se das demais através do conhecimento em comum, mesmo que não na mesma intensidade.

Vanessa Maghry, Pedagoga pela Universidade Luterana Brasileira do Rio Grande do Sul, pós-graduada em Neuropsicopedagogia, possui cursos em Estimulação Cognitiva, Aprendizagem e Desenvolvimento, Intervenção Precoce no modelo americano, além da formação completa do Programa de intervenção Domiciliar LIFE. Assessora de Inclusão e Reabilitação.



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