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20/10/2016
OBSERVANDO O COMPORTAMENTO MULTISSENSORIAL DA CRIANÇA NO AMBIENTE DOMICILIAR
Como questões sensoriais podem influenciar na rotina de uma criança com alterações no desenvolvimento? Confira texto do terapeuta ocupacional Márney Costa.

Em todos os momentos estamos sendo bombardeados por diferentes estímulos sensoriais vindos de diferentes fontes. Precisamos administrar estímulos como a
luminosidade, quantidade de ruídos, estímulos visuais, diferentes tipos de odores,
sabores, texturas, temperaturas, entres outros. O nosso sistema sensorial é capaz de
captar todos os estímulos, modular e “acomodar” levando a um processamento satisfatório para alcançarmos uma função desejada por nós ou por uma demanda secundária.

Cada atividade que desempenhamos compreende várias etapas e cada uma delas requer uma organização que é cercada por estímulos a cada segundo, por exemplo,
quando escolhemos ir até a geladeira pegar uma jarra com suco levantando a partir da mesa, passamos por um processo de organização necessária para alcançar a função, esta em etapas envolve um planejamento motor, cognitivo e multissensorial. Pensando
assim, quando torna-se intolerável lidar com algum tipo de estimulo ou certo estimulo
precisa ser constantemente buscado, alcançar a função nem sempre se torna tão fácil.

Encontramos em muitas crianças com alterações no processamento sensorial características de super uso de certos estímulos ou muitas vezes de carência por não serem capazes de processarem as diferentes informações. Como comportamento desse desvio, algumas crianças podem apresentar atitudes que aumentam o processo para conquista da função, esses comportamentos podem ser explícitos por grande quantidade de movimentação corporal, fixação por texturas, sabores, cores, objetos, para compensarem essa necessidade.

É comum encontrarmos em crianças um comportamento de busca, expressado por padrões de movimentação como correr de um lado para o outro, pular e balançar as
mãos, andar nas pontas dos pés, carregarem sempre alguns objetos ou texturas, dependendo sempre dessa compensação para alcançar a função ou nem sempre
alcançando a função mas suprir suas necessidades de organização.

A melhor forma de auxiliar uma criança que apresente alterações no comportamento multissensorial é promover um espaço que filtre suas necessidades para
que elas não se tornem um comportamento que a distancie da função.

Pensando nessas necessidades avaliar a rotina da criança oferecendo estratégias de enfrentamento que contemplem suas necessidades sensoriais é uma das melhores maneiras de se alcançar um maior nível de interação com a atividades do dia a dia. Um
programa que seja capaz de observar essas características sensórias torna o seu nível de
função mais amplo e eficaz. Esse programa deve ser elaborado de acordo com as especificidades de cada criança (padrões de hipersensibilidade hiposensibilidade e busca sensorial), com objetivos e metas de participação efetiva, observando os
diferentes contextos.

Marney Costa, Terapeuta Ocupacional pela Universidade Presidente Antonio Carlos -
Minas Gerais. Assessor de inclusão e reabilitação da Inclusão Eficiente. Formação no
Conceito Neuroevolutivo Bobath, Bobath Baby Course, Integração Sensorial e Integração Sensorial para bebês e autismo. Certificaçao Internacional em Integraçao

Sensorial módulos I,II e III, Terapeuta Ocupacional responsável nos Consultórios de Reabilitação Infantil de Chapecó-SC.



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